E o melodrama eleitoral brasileiro continua... parte [já perdi a contagem!]


Em primeiro lugar, devo enfatizar que não acredito que, politicamente, haja inocentes nessa história toda. Como já escrevi várias vezes, um processo de impedimento é péssimo para o Brasil e denuncia a imaturidade de alguns dos adversários políticos da Presidente, mas – ao menos politicamente – ela não é inocente.

Ela não é politicamente inocente porque, supostamente – e uso “supostamente” aqui porque não tenho acesso a documentos oficiais, mas assisti às discussões transmitidas pelos meios de comunicação do Senado e da Câmara federais enquanto ocorriam – transvestiu suas contas no processo chamado de “pedaladas fiscais”. Lembro-me de haver sentido uma grande indignação contra o que vi à distância ocorrer no Congresso Nacional, e minha opinião não foi formada pelos relatos da imprensa – foi formada por ouvir as discussões dos supostos representantes do “povo” no Congresso, e por entender o que o Governo fazia ali. [Essa, a propósito, é uma herança de minha formação acadêmico-profissional na Teologia e na História: as fontes “primárias” são essenciais!]

Seja como for, novamente, enfatizo minha declaração acima: A Presidente Dilma Rousseff não é politicamente inocente. Esse é o máximo que se pode dizer sobre ela até hoje. Não há nenhuma acusação e nenhuma prova foi apresentada de que ela tenha se envolvido diretamente no caso de corrupção da Petrobras. Não há nenhuma acusação ou prova de que ela possua contas ilegais no exterior ou no Brasil. Etc, etc, etc. Ou seja, até agora, não se apresentaram provas de que tenha cometido crime algum – e provas negativas devem ser apresentadas pelos acusadores, não pela acusada (como ela poderia provar que não fez algo?!).

Como já escrevi algumas vezes aqui, ela não é politicamente inocente porque, como bem diz o ditado, “dizes-me com quem andas e direi quem és”. Em seu caso, pode-se adicionar, “dizes-me que mentiras contas no horário eleitoral e direi o quanto de confiança terás como Presidente”... Mas, novamente, se ela devesse ser deposta por isso, e se formos equânimes e depusermos todos os outros que fazem o mesmo, o Brasil ficará sem governantes! [Não que isso seja uma desculpa, como ela mesmo utilizou, para que ela faça o que quiser e minta a seus eleitores como bem entender. O que quero dizer é que se seus adversários, e os apoiadores desses, estivessem tão preocupados assim com ética e legalidade, eles abandonariam seus cargos agora!]

E os que gritam pelo impedimento? O que dizer deles? Será que realmente poderíamos confiar num Senador que está mais interessado numa guerra eleitoral infinita – que ele de fato e de direito perdeu – do que no bem do país e das instituições?... Pessoalmente, não poderia confiar na capacidade de alguém que, orgulhosamente, confunde “oposição” com “guerra”; que desfila aceitando a aclamação de defensores duma intervenção militar, em vez de ser homem democrático que entenda que “oposição” se faz com debates políticos – oposições violentas e desordem institucional é a “democracia” dos “bolivarianos”, não deveria ser a brasileira!

...Mas, obviamente, a gota d'água é o comportamento do senhor que preside a Câmara dos Deputados!... Onde estão as manifestações de rua para derrubá-lo? Onde estão os virtuosos brasileiros pedindo que ele se afaste? Onde estão os movimentos em defesa da moral e dos bons costumes pedindo que o indivíduo contra quem há, de fato, evidências claras de malversação seja deposto, julgado e preso?... Pois é, todos eles se silenciaram! E se silenciaram porque não se interessam pelo bem do Brasil; se interessam apenas por suas próprias candidaturas nas próximas eleições, e seus seguidores tateiam na ignorância.

Não há inocentes políticos no Brasil! O Governo e seus apoiadores não são inocentes. As “oposições” não são inocentes. E absolutamente nenhum eleitor é inocente. Todos somos culpados. Mas todo culpado – eu acredito – pode se reformar e mudar de rumo. Quem sabe não possamos, enquanto cidadãos, ainda nos reformar, mudando nossa relação com aqueles a quem damos licença para nos governar e representar?... Contudo, enquanto isso não ocorre, devemos ter a maturidade e exigir o melhor para o país – e impedir a Presidente, por simples capricho eleitoral, é o pior para o país e para nossas instituições! É o pior para nós!

+Gibson

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