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"No princípio era o conflito..."

domingo, 19 de julho de 2015

Sobre alguns dos “novos liberais” brasileiros das redes sociais


Hoje serei o “advogado do diabo”. Como já zombei demais do establishment do dia, é hora de falar sobre o “outro lado”…

Não, não os classifico como “fascistas”, até porque tenho instrução teórica suficiente para reconhecer certas características clássicas dos movimentos “fascistas” – se bem que posso entender porque alguns os chamam assim… Mas chamá-los de “liberais” é uma grande piada de mau gosto!

Eles parecem ter se tornado a nova febre das redes sociais. Obviamente, o contexto político do país explica esse “novo modismo”[?]. Seus mantras são repetidos cansativamente, de forma semelhante àquela dos “evangelizadores” de coletivos em qualquer grande cidade brasileira: o PT, Dilma e os gays – não necessariamente nessa ordem – são o motivo para a “desgraça” da “República”.

Alguns defendem apressadamente o impeachment da Presidente da República – esquecendo-se que um Estado de Direito possui regras tanto para a condenação de supostos culpados quanto para revogar a decisão das urnas. Alguns deles chegam mesmo a defender uma intervenção militar.

Em sua ânsia em proclamar sua verdade recém-descoberta, propõem o silenciamento dos que pensam de forma distinta – agindo da mesma forma como, ou pior, os supostos vilões sobre os quais alardem sua verborragia apocalíptica.

O que mais me “surpreende” na tagarelice de alguns desses personagens é que, ao menos alguns deles, até pouquíssimo tempo atrás eram eleitores do mesmo partido que governa o país hoje. Mas, mesmo assim, classificam os eleitores do establishment do dia como moralmente desvirtuados.

Até ontem, alguns deles eram ateus. Mas, hoje, são religiosos ardorosos incumbidos de salvar a alma da “nação”.

Até ontem, alguns deles eram consumidores de “entretenimento” pornográfico. Mas, hoje, são os agentes moralizantes da “família” brasileira, com a missão de salvá-las especialmente dos gays e da degradação moral!

Realmente, confesso que não sei se rio ou se choro!

Como um liberal democrata de berço – filosófica, política, econômica, social, e teologicamente –, a liberdade, a diversidade, o domínio da Lei, a democracia, a autonomia individual e a paz têm uma importância maior do que os ciúmes partidaristas e as disputas pueris.

Sim, também tenho algumas convicções que entram em conflito com os caminhos seguidos, talvez, pela maioria dos demais cidadãos, mas meu credo pessoal é que só pode haver liberdade para mim se meu adversário também for livre; só pode haver justiça para mim se ele também tiver justiça. E eu tenho um compromisso com minha própria consciência de defender o direito de meu oponente dizer o que acredita, mesmo se o que diz me ofenda – porque só assim, moralmente, posso exigir o direito de dizer o que penso. Esse é o meu credo liberal de liberdade e de igualdade sob a Lei.

Mas os supostos “liberais” das redes sociais aparentemente não acreditam em nada disso. Eles acreditam, sim, neles mesmos como “o farol” da verdade, da segurança e da moralidade… Eles, enfim, cospem na tradição que dizem defender.

Sua suposta “moralidade política” resume-se às suas tentativas de construir uma imagem viável para eleitores socialmente conservadores. Não exibem conteúdo intelectual politicamente relevante. Daí sua belicosidade verborrágica. Mas sua encenação legalista desaba quando começam a falar, ou melhor, a escrever!… Provam que não estão preparados para liderar uma sociedade livre e democrática no século XXI. Sua hipocrisia moral, sua visão retrógrada de família, da mulher, da sexualidade humana, e de tantas outras coisas, torna-os perfeitos para dirigirem sociedades agrárias do século XIX.

Politicamente, não são liberais. São, no máximo, aventureiros que tentam compensar seu intelecto microscópico com gritos humanoides.

Gibson