domingo, 19 de abril de 2015

A imprensa como fonte de "verdade"?... Só se for com ceticismo crítico!


Minha atual pesquisa sobre como a imigração – legal e paralegal – tem sido noticiada na imprensa duma cidade específica dos EUA nas últimas três décadas ensinou-me muito sobre como as pessoas encaram o papel dos meios de comunicação de massa de forma confusa. A descrição do “outro”, como o “alienígena” que vem atacar um estilo de vida e consumir recursos, parece conflitar com relatos que carregam um profundo senso humanitário no que concerne àqueles que estão distantes... Ler as notícias e as reações dos leitores, através de suas correspondências impressas nesses jornais, é uma viagem à complexidade da mente humana e do papel desempenhado pela imprensa em “sociedades democráticas”.

Para mim, enquanto a liberdade na divulgação de notícias e de opiniões é essencial à democracia – independentemente do quanto eu discorde da validade de seu conteúdo e de sua interpretação –, aquilo que é produzido pelos meios de informação é social-político-culturalmente condicionado. Assim, trato as fontes jornalísticas com certo ceticismo investigativo, pensando ser indispensável ir além daquilo que foi divulgado, se quiser alcançar um retrato mais amplo do que foi narrado (apesar de, com isso, não querer insinuar, em absoluto, que seja adepto duma teoria da conspiração da sociedade!).

A confusão, para mim, emerge quando penso que eu, sendo um defensor da “liberdade de imprensa”, encaro os noticiários com ceticismo, enquanto outros, que se apresentam como críticos daquela “liberdade”, abraçam qualquer notícia que seja favorável às suas plataformas ou representantes políticos como verdade inquestionável!

Meu ceticismo, a propósito, faz-me questionar a própria noção de “liberdade de imprensa” que, frequentemente, defendo com tanto afinco. Afinal, eu – talvez mais que qualquer outro – sei que não há liberdade plena nas redações. A “liberdade” é moldada pela cultura profissional, pelos interesses corporativos e pelos conflitos entre os atores. Assim, a “notícia” deve ser encarada com criticidade. Não quero dizer, com isso, que devamos pensar que os meios de comunicação em massa produzam mentira; mas devemos estar cientes que seus relatos – sejam eles quais forem – são produtos condicionados pelos contextos nos quais estão inseridos.

Assim, fujo dos relatos supostamente factuais e definitivos como um bom haredi fugiria de carne suína!... Como em tudo em minha vida, leio as notícias sobre o que quer que seja com olhos céticos!

+Gibson

O Brasil de ontem e de hoje

Gibson da Costa Em 2013, incendiaram as ruas, em protestos contra a corrupção e o descaso. Em 2014, votaram absolut...