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"No princípio era o conflito..."

domingo, 26 de outubro de 2014

Aquela gente, da ex-contracultura, inimiga da liberdade


Cada vez mais, me aborreço com os intelectualóides que constituem a militância esquerdista brasileira. Essa gente “ilustrada” que domina não apenas as universidades, sindicatos e redações, mas, principalmente, os cargos eletivos e o funcionalismo público brasileiro. Essa gente que se vangloria de haver supostamente defendido, e de ainda defender, a “democracia” e a “liberdade de expressão”, juntamente com os “filhinhos de papai” das famílias privilegiadas que encontraram na onda de “terrorismo da nova esquerda” – para utilizar a classificação de David Rapoport – sua raison d'être, mas que não pensa duas vezes em apagar a democracia e a liberdade de expressão se essas se tornarem um obstáculo ao seu projeto de poder.

É interessante como essa gente – mas também a direita ignorante e atrasada – retrógrada (porque se prende a uma mentalidade da Guerra Fria), com sua máscara de cool people, consegue sempre encontrar um culpado externo para os problemas nacionais, e consegue sempre responsabilizar a imprensa pelos crimes políticos que eles (isto é, “essa gente”) mesmos cometeram. Para o credo desses profetas do Iluminismo do “eles vs. nós” a imprensa representa os “golpistas”, e os políticos esquerdistas criminosos as “vítimas” dum complô. Sua reza messianizante chega a ser irritantemente ridícula.

Eles, provavelmente, vencerão as eleições hoje. Mas, ao mesmo tempo, sairão como os grandes perdedores da mesma. Perderão porque dividiram forçosamente o país. Perderão porque se tornaram o símbolo da incoerência. Perderão porque aqueles que se esforçam para ler as entrelinhas verão sua gigantesca hipocrisia. Perderão porque abandonaram sua integridade intelectual em favor do corporativismo partidário.

Essa gente perdeu sua autoridade moral – se é que algum dia realmente a teve – quando não deixou claro que seu voto no governo do dia era um voto crítico. Em vez de, mesmo votando no PT, condenar publicamente a corrupção, as irregularidades, e “alguns” dos erros administrativos do governo petista – contra o qual disparou tantas greves nos últimos dois anos, em favor de si mesma –, escolheu o corporativismo partidário. Em vez de realizar uma defesa crítica à liberdade de imprensa, escolhe não apenas apoiar projetos que restringem tal liberdade, mas criar o ambiente para que a imprensa seja atacada nas ruas e nas sedes de editoras.

Essa é a pseudo “democracia”, e a pseudo “liberdade” – que, aparentemente, não passa de eleitoral – da elite esquerdista brasileira. A “democracia” e a “liberdade” que só importa se ela for privilegiada nas urnas (e nas contas bancárias)! A “democracia” que – escondida pela máscara do “cool people”, distribuidor de renda e defensor das “minorias” – esconde-se de seu reflexo no espelho. Essa esquerda elitista já deixou de ser a “contracultura” há muito. Só não percebe isso quem não abre os olhos!

Quanto a mim, continuo a acreditar na liberdade. Melhor um país onde ideias opostas podem se contradizer livremente que um país onde animais vestidos de militantes políticos incendeiam veículos de rede de televisão, agridem jornalistas, e tentam invadir redações. Este país já viu esse tipo de cenas antes, e sabe muito bem onde isso acaba. Esses agressores – vistos como heróis pela esquerda elitista e atiçados pela ameaça deselegante da Presidente da República (com a sua “lhes daremos uma resposta nas urnas”) – simbolizam o quão distante estamos duma cultura democrática. Eles dão, na verdade, um tiro nos pés da elite esquerdista, por expô-la como inimiga da liberdade!

Gibson