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"No princípio era o conflito..."

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Palavras de Adam Smith


Adam Smith, em “A Teoria dos Sentimentos Morais”:


“Independentemente de quão egoísta suponha-se ser o homem, evidentemente há alguns princípios em sua natureza que o fazem se interessar pela felicidade de outros, e fazem com que a felicidade desses lhe seja necessária, apesar de não ganhar nada com isso, exceto o prazer de vê-lo. Desse tipo [de princípios] é a piedade ou a compaixão, a emoção que sentimos pelo sofrimento dos outros, ou quando o vemos, ou quando o percebemos duma forma muito presente. Que frequentemente nos entristecemos com a tristeza de outros é um fato muito óbvio para que se exijam quaisquer provas; pois esse sentimento, como todas as demais paixões originais da natureza humana, de forma alguma está confinada aos virtuosos e bondosos, apesar de esses poderem senti-lo com uma maior força. O maior rufião, o mais endurecido infrator das leis da sociedade, não está de todo alheio a ele [esse sentimento].

Como não temos experiência imediata do que os outros homens sentem, não podemos formar nenhuma ideia sobre a maneira como são afetados, a não ser imaginando o que sentiríamos numa situação semelhante. Apesar de nosso irmão estar passando por dificuldades, desde que nós mesmos não estejamos, nossos sentidos nunca nos informarão sobre o que ele sofre. Nossos sentidos nunca nos carregaram além de nós mesmos, e nunca podem, e é apenas por meio da imaginação que podemos formar um conceito sobre quais são as suas [de nosso irmão] sensações. Nem pode aquela faculdade ajudar-nos de nenhuma outra forma, a não ser representando para nós como estaríamos se estivéssemos em sua condição. São apenas nossas próprias impressões, e não as dele, que nossas imaginações copiam. Pela imaginação nos colocamos em sua situação, nos imaginamos passando pelos mesmos tormentos, é como se entrássemos em seu corpo e nos tornássemos, de alguma forma, a mesma pessoa que ele, e assim formamos uma ideia de suas sensações, e até mesmo sentimos algo que, mesmo sendo mais fraco em intensidade, não é totalmente diferente das dele. Suas agonias, quando são assim sentidas por nós, quando assim as adotamos e as tornamos nossas, começam pelo menos a nos afetar, e então trememos e estremecemos ao pensarmos no que ele sente. Pois assim como a dor ou o sofrimento de qualquer tipo causa a tristeza mais excessiva, conceber ou imaginar que passamos por ela, causa um pouco da mesma emoção, em proporcional à vivacidade ou estupidez da imaginação.”

SMITH, Adam. The Theory of Moral Sentiments [A Teoria dos Sentimentos Morais]. Nova York: Cambridge University Press, 2002. p. 11-12.



E, em A Riqueza das Nações:

“Dever-se-á considerar esta melhoria da situação das camadas mais baixas da sociedade como uma vantagem ou como um inconveniente para a sociedade? A resposta é tão óbvia, que salta à vista. Os criados, trabalhadores e operários dos diversos tipos representam a maior parte de toda grande sociedade política. Ora, o que faz melhorar a situação da maioria nunca pode ser considerado como um inconveniente para o todo. Nenhuma sociedade pode ser florescente e feliz, se a grande maioria de seus membros forem pobres e miseráveis. Além disso, manda a justiça que aqueles que alimentam, vestem e dão alojamento ao corpo inteiro da nação, tenham uma participação tal na produção de seu próprio trabalho, que eles mesmos possam ter mais do que alimentação, roupa e moradia apenas sofrível.” (p. 128-129)

[…] Os salários representam o estímulo da operosidade, a qual, como qualquer outra qualidade humana, melhora em proporção ao estímulo que recebe. Meios de subsistência abundantes aumentam a força física do trabalhador, é a esperança confortante de melhorar sua condição e talvez terminar seus dias em tranquilidade e abundância o anima a empenhar suas forças ao máximo. Portanto, onde os salários são altos, sempre veremos os empregados trabalhando mais ativamente, com maior diligência e com maior rapidez do que onde são baixos […]” (p. 131)

[…] Nossos comerciantes e donos de manufaturas reclamam muito dos efeitos perniciosos dos altos salários […] Nada dizem sobre os efeitos prejudiciais dos lucros altos. Silenciam sobre os efeitos danosos de seus próprios ganhos. Queixam-se somente dos ganhos do outros.” (p. 145-146).

“[…] Ora, o interesse dos negociantes, em qualquer ramo específico de comércio ou de manufatura, sempre difere sob algum aspecto do interesse público, e até se lhe opõe. O interesse dos empresários é sempre ampliar o mercado e limitar a concorrência. Ampliar o mercado muitas vezes pode ser benéfico para o interesse público, mas limitar a concorrência sempre contraria necessariamente ao interesse público, e só pode servir para possibilitar aos negociantes, pelo aumento de seus lucros acima do que seria natural, cobrar, em seu próprio benefício, uma taxa absurda dos demais concidadãos. A proposta de qualquer nova lei ou regulamento comercial que provenha de sua categoria sempre deve ser examinada com grande precaução e cautela, não devendo nunca ser adotada antes de ser longa e cuidadosamente estudada, não somente com a atenção mais escrupulosa, mas também com a maior desconfiança. É proposta que advém de uma categoria de pessoas cujo interesse jamais coincide exatamente com o do povo, as quais geralmente têm interesse em enganá-lo e mesmo oprimi-lo e que, consequentemente, têm em muitas oportunidades tanto iludido quanto oprimido esse povo.” (p. 273)

SMITH, Adam. A Riqueza das Nações: investigação sobre sua natureza e suas causas, vol. 1. Tradução de Luiz João Baraúna. São Paulo: Nova Cultural, 1996. (Coleção Os Economistas)

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Democracia se faz com ideias e voto, não com xingamentos!


Sinto-me muito desconfortável com todo esse clima de “nós contra eles – eles contra nós; os justos contra os injustos – os injustos contra os justos; os bons contra os maus – os maus contra os bons” que se instala no Brasil durante épocas eleitorais. Se isso, de certa forma, sempre ocorre, este ano parece estar muito pior – e o contexto histórico, obviamente, explica bem.


O engraçado é que os adjetivos e as interjeições deselegantes (tipicamente adolescentes) que os pseudo-politizados de hoje costumam vociferar por aí mais parecem um esconderijo para quem não quer, ou não tem a competência para, participar da política democrática: aquela que toma forma na discussão de IDEIAS e no VOTO consciente.


Como não tenho o mínimo desejo de me esconder da política democrática, se você quiser discutir IDEIAS, para que possamos FAZER ESCOLHAS CONSCIENTES QUANDO VOTARMOS, estou aqui. Mas se a única coisa que você sabe fazer é utilizar adjetivos depreciativos para qualificar a este(a) ou aquele(a) político(a), por favor, não tome o meu precioso tempo!


Todos sabem que estou, politicamente, inserido naquilo que chamo de “DIREITA DEMOCRÁTICA” – não a pseudo-direita que gasta seu tempo xingando os políticos da (pseudo)esquerda nas “redes sociais”. Assim, sou um opositor declarado da maneira de fazer governo da atual gestão federal – filosófica e politicamente bem alicerçado, apesar de os pseudo-politizados de hoje acharem que só eles são inteligentes! Minha oposição, entretanto, é ao personagem político, não ao ator fora do palco (se é que você consegue me entender!). Como a noção de civilidade é extremamente importante para minha noção de política democrática, xingamentos pessoais não são parte de minha forma de ver, entender e fazer política enquanto cidadão – e isso vale para todas as direções.


Gibson

domingo, 15 de junho de 2014

Pela Plena Liberdade Jornalística e Intelectual


Reconheço que fui, até certo ponto, um privilegiado em termos culturais. Livros, jornais e revistas sempre estiveram presentes em minha vida, e contribuíram – alguns ousariam incluir aqui “para o bem ou para o mal” – com minha formação intelectual. “Culpa” da família e, principalmente, minha própria!


Apesar de minhas limitações para focar minha atenção em qualquer coisa por muito tempo – o que torna minha sujeição à pressão externa um enorme desafio –, sempre escrevi muito (o que não significa, em absoluto, que escrevesse ou escreva bem!). Foi isso que me levou ao envolvimento com o jornalismo opinativo escolar quando ainda muito jovem. Nunca, entretanto, tive interesse em formação na área específica de “Jornalismo” na Universidade. Escolhi outras formações acadêmicas, apesar de escrever duas colunas semanais publicadas em diferentes jornais nos Estados Unidos, e de haver trabalhado para uma grande rede da área.


Escrever, em minha experiência jornalística, tinha muito pouco a ver com um diploma específico em Jornalismo ou em qualquer outra área. Tinha, sim, uma ligação necessária com a formação cultural do autor, com a atenção aos detalhes de seu objeto de discussão, com sua capacidade de lidar com ideias e com sua eticidade profissional. Essa compreensão moldou minha atuação na escrita, no patrocínio a jornais estudantis nas escolas nas quais ensinei, e em meu trabalho ainda hoje.


Aquele espírito de liberdade que conheci em minha época do Post foi, talvez, uma das maiores contribuições para que não tivesse interesse em escrita acadêmica, mesmo durante a pós-graduação. Sempre achei a liturgia acadêmica insuportável. Não queria escrever artigos acadêmicos que não dialogavam com quem queria dialogar. Queria escrever para a pessoa comum – sim, a pessoa que tivesse um mínimo de cultura para poder entender meu humor sarcástico e minhas referências intelectuais, mas alguém que vivesse no “mundo real”, que apreciasse a escrita de opinião informada sem as amarras da validação acadêmica.


A liberdade que conheci sofreu um certo abalo no Brasil, com sua onipresente cultura de regulamentações profissionais – seguida, no campo das atividades ditas “intelectuais”, não apenas por entidades de jornalistas, mas também de historiadores, teólogos, filósofos etc. Em 2009, quando o STF derrubou a exigência da formação em Jornalismo para o exercício da atividade no país – e quando voltei a escrever semanalmente para jornais nos EUA e Canadá –, essa cultura não foi vencida. Ao contrário: ela permanece, e ganha força nos discursos dos defensores da burocracia corporativista e de seus discípulos nas faculdades e universidades que formam esses “intelectuais”.


Eu, como cidadão e intelectual livre, e como jornalista sem “formação jornalística” (mas, mesmo assim, publicado numa “syndicated column”), prefiro seguir a velha definição de Jornalismo do jornalista suíço, com formação teológica e filosófica, Daniel Cornu, quando escreve que:


"O jornalismo é uma `profissão aberta´, que não exige formação específica ou diploma. Sua definição é tautológica: é considerado jornalista quem exerce sua atividade principal na imprensa escrita ou nos meios de comunicação audiovisuais. Mais precisamente, são reconhecidos como jornalistas os agentes da mídia, independentemente dos meios ou técnicas de expressão utilizados, que satisfaçam três critérios: a concepção e realização de uma produção intelectual, uma relação deste trabalho com a informação, além do critério de atualidade." (CORNU, Daniel. Ética da Informação. Tradução Laureano Pelegrin. Bauru: EDUSC, 1998. p.19)


É uma vergonha que entidades e corporações profissionais que se apresentam como defensoras da liberdade de opinião – quando lhes convêm, claro – se engajem numa redefinição do que seja essa liberdade e para quem ela seja válida na Constituição Federal, em nome dum corporativismo classista. Uma vergonha!... E o mesmo vale para todos aqueles agrupamentos de “intelectuais” que buscam o mesmo, sejam eles historiadores, filósofos, teólogos etc.


Gibson da Costa

domingo, 8 de junho de 2014

Política e religião, ou religião e política, na "guerra" pela alma dos brasileiros


Política e religião. Religião e política. Uma combinação que já se mostrou perigosa e corrosiva para sociedades pré-modernas, e que, infelizmente, continua a lançar sombras sobre nosso mundo social contemporâneo, que alguns insistem em chamar de pós-moderno.

Pois bem, a combinação de política e religião, ou religião e política, é para mim um desafio às minhas crenças políticas e teológicas. Eu, que um grande amigo já chamou de “super protestante”, abomino a intromissão do Estado nos domínios da vida de fé e do espírito, e, igualmente, abomino a intromissão da fé e do espírito nos domínios do Estado. Não deixo de reconhecer, entretanto, a limitação desse sentimento, já que sei que nenhum de nós pode separar aspectos de nossa compreensão de mundo em caixinhas incomunicáveis dentro de nossas mentes. Assim, minha visão política se comunica com minha visão religiosa, e ambas se comunicam com minhas visões cultural, social, econômica etc.

Como um protestante liberal, acredito na liberdade de consciência do indivíduo. Acredito que deve haver uma separação entre a religião institucional (a “Igreja”) e o Estado para que o Estado se alicerce sobre a lei democrática, e não sobre a imposição de convicções religiosas particulares ou de ingerências institucionais. Isso, contudo, não significa que acredito que o Estado, chamado de laico, deva ser ativamente ateu. O Estado é, em princípio, um reflexo dos ideais de sua sociedade, e como a sociedade da qual fazemos parte não é ateia, não vejo problema algum em extrairmos aquilo que a maioria dos “crentes” (leia-se, os cidadãos que acreditam na Divindade ou professam uma fé religiosa – que, de acordo com o IBGE, é a maioria esmagadora da sociedade brasileira) compartilham em suas convicções éticas para moldar nossa democracia.

Isso significa, em minha compreensão, que, por exemplo, o “Deus seja louvado” das cédulas de Real ou a regulação do aborto no país não são uma ingerência da “Igreja” no Estado brasileiro. São, sim, um reflexo do ethos da sociedade brasileira; a voz das convicções que moldam nosso ideal social, enquanto entidade política. Essa compreensão das leis como reflexo de convicções éticas majoritárias, entretanto, não significa que não se deva fazer oposição a elas no cenário político; pelo contrário: acredito que se há convicções opostas, seus defensores têm o direito, e talvez o dever, de se organizarem politicamente e tentarem vencer o debate de forma legal e democrática.

Minhas convicções, infelizmente, parecem ser possíveis apenas numa utopia, apenas num “não lugar”. Se atentarmos para o que ocorre neste país, nos sentiremos forçados a fazer uso daquela infeliz expressão belicista: parece que vivemos num ambiente de “guerra cultural”. Uma guerra pelas nossas mentes e votos, travada por dois grandes grupos opostos, que contribuem para o esfacelamento de convicções e o assassínio de nossas almas.

Num extremo, há aquelas forças que, em nome duma suposta “justiça” e duma suposta “igualdade”, violam, em seus esforços, o “espírito” da maioria. Assim, os insatisfeitos com a democracia representativa, com o Estado de Direito, com o direito à propriedade e à livre iniciativa, com noções ditas “tradicionais” de família etc, acreditam poder passar por cima de tudo e de todos para alcançarem seus anseios; sem “perceberem”, muitas vezes (aos menos, os mais “democráticos” entre eles), a incoerência entre seus credos políticos professos e suas ações.

Noutro extremo, há aqueles que se utilizam do discurso dito “religioso” no âmbito político, ou vice versa, para criarem um ambiente reacionário, injetando o medo de tudo aquilo e de todos aqueles que pensem de forma diferente, e sabotando o espírito democrático pluralista, encontrando inimigos onde há apenas discordantes. E o mais triste é que o fazem em nome de “Deus” e da “família”, em nome da “fé” e da “democracia” – só não sei, ao certo, que “Deus”, que “família”, que “fé”, nem que “democracia” eles defendem!

O mal ofertado por esses dois grandes grupos extremistas é que eles sequestram nossa liberdade. Violam nossa consciência coletiva comum, tentando impor sobre nós suas visões distorcidas de liberdade e democracia, visões que não refletem nosso “senso comum” (expressão, aliás, bem diabolizada pelo modismo do politicamente correto), como exposto em nossa Constituição e leis. Esses extremistas, assim, não nos representam; não representam os anseios da maior parte desta sociedade em construção, desta democracia em formação. Eles representam, apenas, seus próprios interesses; nada mais.

Todos os anos eleitorais costumo repetir isso: no mundo político, e dentro da Igreja, há aqueles que se esforçam para politizar o Cristianismo, ou para cristianizar a política. Eles utilizam a linguagem da fé para seduzir aqueles que não estão preparados para o debate de ideias políticas, e utilizam a linguagem da política para seduzir aqueles que não estão ancorados na tradição de fé. A arma pode ser a desmoralização ora da política, ora da fé; com o sequestro das narrativas desses dois âmbitos para que possam manipular seus discípulos e conseguirem seu voto. Como um protestante, compromissado com a separação entre a religião institucional e o Estado, enxergo esse tipo de manipulação como uma ameaça à liberdade e à democracia – e uma ameaça frequentemente feita por outros que também se identificam como “protestantes”.

Obviamente, compreendo como muitos eleitores cristãos, especialmente protestantes, se sentem e, até certo ponto, partilho de seus sentimentos. Em nosso país, defender certos princípios vistos como “tradicionais”, mesmo que de forma democrática e legal, é motivo de chacota por grande parte da chamada “intelligentsia”. Assim, opor-se ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, à legalização do comércio e consumo de drogas, à descriminalização do aborto etc, é visto como ser reacionário, retrógrado, ditatorial – adjetivos, aliás, utilizados por adolescentes imaturos e semiletrados, que não compreendem como se dá a formação do ethos duma sociedade. De minha parte, devo enfatizar, não ouvirão a defesa das perspectivas de nenhum desses dois lados – i.e., nem dos defensores dos princípios ditos “tradicionais”, nem dos “adolescentes imaturos e semiletrados” –, já que defendo uma via media em nossa vida política.

Sou um cidadão compromissado com a democracia representativa liberal, com o Estado Democrático de Direito, com as liberdades e obrigações estabelecidas pela Constituição Federal brasileira de 1988. Sou um cristão protestante compromissado com uma visão não-hierárquica da fé e da Igreja, na qual os cristãos e cristãs são livres para questionar a autoridade eclesiástica se suas consciências assim os impor, e na qual a Igreja e o Estado seguem seus próprios caminhos. Sou um homem de identidade cultural e de orientação emociono-sexual distintas daquelas da maioria das pessoas que me cercam e que, por isso mesmo, exijo as mesmas proteções e benefícios legais que todos os outros possuem, já que cumpro todas as obrigações comuns a todos nós. Não vejo a necessidade de temer a diversidade no mundo, pois acredito que há espaço para todos nós, desde que cumpramos nossa parte no contrato constitucional. Isso me obriga a rejeitar as duas visões extremistas às quais, talvez exageradamente, fiz menção aqui.

Apoiar a extravagância do grupo aparentemente “relativista”, para quem “vale tudo” em nome duma suposta “justiça” e duma suposta “igualdade”, é violar minha própria filosofia moral, por mais que tenha simpatia por algumas das ideias defendidas por eles. É, assim, violar meu credo político e minha fé protestante, que se entrelaçam numa defesa da democracia representativa, do Estado de Direito, e do direito à vida, à liberdade e à propriedade.

Por outro lado, apoiar o barulhento grupo dos “absolutistas morais”, que se protegem sob o rótulo da fé cristã, é escarnecer não só de minhas mais profundas crenças políticas, mas também de meu Deus, de minha fé, e de meus ancestrais de fé. Ademais, é violar o lugar central que o dogma da dignidade humana ocupa em minha fé unitarista. Apoiá-los, por mais que algumas de suas ideias sejam partilhadas por mim, seria violar o todo da minha visão de mundo.

No fim das contas, nenhum desses dois extremos me representam, nem representam, provavelmente, a maioria dos brasileiros. Espero que os eleitores cristãos deste país, especialmente os protestantes, possam entender o perigo que esses extremismos antidemocráticos e anticonstitucionais representam para o Brasil. A disputa ideológica é sadia, útil e deve continuar – assim devem continuar as oposições de ideias no cenário político –; mas a excitação ao ódio e preconceito, que se generalizou entre nós, de todos os lados e em todos os estratos, deve ser rejeitada como uma afronta à dignidade humana, à liberdade e à democracia. O que esses grupos fazem – sejam eles os radicais da” ou do “social” –, quando jogam cidadãos uns contra os outros numa “guerra” artificial, é uma manifestação de sua ignorância, intolerância e inimizade, e deve ser rejeitado nas urnas nas próximas eleições!

Bençãos a todos!
 
+Gibson