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"No princípio era o conflito..."

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Educando Para a Democracia


Esta manhã, alguém me perguntou sobre quais eram minhas preocupações no que concerne ao ano de 2014. Estávamos discutindo um plano pedagógico, então a discussão sobre democracia representativa e o domínio da lei era, para mim, inevitável. Em minha compreensão, uma de minhas atribuições como professor é ensinar princípios democráticos aos estudantes, demonstrando meu comprometimento, em sala, com aqueles princípios democráticos que – ao menos teoricamente – fundamentam a Constituição deste país.

As manifestações que tomaram as ruas do Brasil em 2013, com seus recorrentes eventos de violência explícita – congratuladas por politiqueiros profissionais e [pseudo-]educadores – não representaram, para mim, nenhum avanço democrático. Não pode haver avanço da democracia quando esta se solidifica na violência e na desordem.

Muito se fala em mudança, mas mudança, numa sociedade democrática, deve ocorrer por meio da discussão de ideias, por meio da persuasão pacífica e do processo democrático. Qualquer sociedade verdadeiramente democrática deve rejeitar a violência como um meio de mudar o pensamento das pessoas ou a lei.

Infelizmente, este meu compromisso com os princípios democráticos é ridicularizado e visto como conservador (como se esse qualificativo per se significasse uma ofensa!). Aparentemente, para a maioria da intelligentsia brasileira, democracia é a anarquia das ruas ou a revolução da guilhotina. Como são eles que formam as gerações do futuro, temo pelas escolhas políticas que as crianças e jovens de hoje farão em alguns anos.

Como cidadão e como professor, quero que meus alunos saibam que continuarei comprometido com os princípios que regem um Estado Democrático de Direito, como o Brasil. Continuarei a crer, firmemente, numa liberdade que é regulada e protegida pela Lei – a quem todos devem estar submetidos igualmente. As mudanças que qualquer um de nós desejar ver realizadas no Estado, devem ser efetuadas por meio do processo democrático, que se opera através da discussão de ideias e da persuasão pacífica. Qualquer incentivador da violência e da desordem numa sociedade democrática é um usurpador e impostor, sem exceções. Esses não receberão nenhum tipo de louvação ou bajulação de meus lábios ou meu teclado.

O que ensino, e continuarei a ensinar a meus alunos é o seguinte: se quiserem mudar o cenário político de seu país, então informem-se sobre as propostas dos candidatos ao Legislativo e Executivo, registrem-se como eleitores (se forem maiores de 16 anos), e votem naqueles que acreditam ser os melhores candidatos. E uma vez eleitos seus candidatos, supervisionem seu trabalho. É assim que a democracia representativa funciona, e não com violência ou desordem.

Gibson